Os servidores da saúde pública de Machadinho estão revoltados com a administração. Munidos de cartazes foram a Câmara Municipal,
na noite desta segunda-feira(2/12), aproveitando a sessão ordinária da Casa, protestar, reivindicar seus direitos e pedir a intervenção dos vereadores para combater o que chamaram de “injustiça” pratica pela administração do prefeito Leomar Patrício (PHS).
A indignação recai sobre o adicional de insalubridade que foi reduzido de 40% para 20%. A redução do adicional reflete diretamente na folha salarial dos servidores. A queda dos vencimentos pegou os servidores desavisados e irá causar diversos transtornos a quem conta com essa diferença salarial para cumprir compromissos, anteriormente assumidos.

Para promover a redução do adicional a administração tomou por base o Laudo Técnico de Insalubridade e Periculosidade Extra-judicial (LTIP-2019). Laudo que descreve que foram melhoradas as condições de trabalho dos servidores. Com isso, têm-se que houve redução dos riscos à saúde e por conseguinte houve a redução do percentual, por indicação do profissional que assinou o laudo, de 40% para 20%, nos termos do art . 195 da CLT.

Essa condição é contestada pelos servidores, que em grande número foi à Câmara Municipal pedir a intervenção dos legisladores. Os protestantes, intermediados pelo Sindicato dos Servidores Públicos do Município – SINTRAM, tiveram direito a voz onde externaram sua revolta e indignação. Vereadores se comprometeram com a causa dos servidores.

De acordo com os servidores o LTIP-2019 não reflete a realidade, pois o laudo teria sido elaborado com base em informações repassadas por alguns setores da administração, através de memorandos e a visita do técnico não abrangeu todas as unidades de saúde, portanto o resultado da análise está comprometida e não reflete a realidade.
O presidente do SINTRAM, Edson Casarão, falou que o Sindicato irá contestar o laudo, pois de acordo com ele, o documento é totalmente inverídico, não condizendo com a realidade. “Isso é falsificação de documento público”, registrou o presidente em seu pronunciamento. Ele alega que o técnico que elaborou o laudo não conhece a realidade do município e que as informações constantes no documento podem ser facilmente contestadas.
O prefeito Leomar Patrício, postou um vídeo em uma rede social aonde afirmou que servidor não deve receber recursos de forma irregular. “O servidor só tem direito ao adicional de insalubridade quando são expostos a agentes nocivos à saúde, locais com baixa luminosidade, úmidos e com muito calor. Assim, como os agentes de saúde que trabalham com doenças diversas e que estejam sem as devidas proteções”, declarou o prefeito.

Essa declaração do prefeito serviu apenas para inflamar ainda mais os ânimos dos protestantes. Em tom de revolta os servidores relatam que trabalham em locais úmidos, locais quentes demais e que precisam levar seus próprios ventiladores pra amenizar o calor. Relatam ainda que algumas unidades de saúde estão em situações precárias, em algumas unidades, que estão com a estrutura comprometida, inclusive com as paredes mofadas e os forros com excrementos de morcegos e pombos, ao contrário do que diz o prefeito.
“Se trabalhar no meio de excrementos de morcegos e pombos não for insalubre, não sei o que é.” Declarou um servidor.
“Chega a ser desumana essa atitude do prefeito. Atendemos, diariamente, pessoas com as mais diversas doenças, inclusive DSTs e outras doenças contagiosas. Pra quem trabalha numa sala com ar condicionado e atende as pessoas quando quer, é muito fácil falar”. Desabafou uma servidora.
Os servidores que falaram a nossa reportagem pediram pra não ter sua identidade revelada com medo de retaliação.
Por: Dário Bagalo – DRT-RO 890 – conexaoamazonia.com.br

