Ração representa cerca de 60% da produção. Temperatura da água também deve ser analisada antes da ração ser jogada aos peixes.
Embora a ração representa cerca de 60% do custo de produção de peixes em cativeiro, o ciclo nutricional na piscicultura é um importante aliado ao produtor de Rondônia.
Segundo Maria Mirtes de Lima Pinheiro, engenheira de pesca, é essencial observar o hábito alimentar dos peixes que o piscicultor pretende criar.
“Peixes onívoros, como o tambaqui, exigem menor percentual de proteína bruta, que é exatamente o ingrediente que encarece as rações. Já os peixes carnívoros, como pirarucu, são mais exigentes nutricionalmente. Exigem rações com maiores teores de proteína bruta e são as rações mais caras dentro do ciclo de produção”, afirma.
Em uma propriedade de Porto Velho, o Rondônia Rural foi conhecer sobre manejo e a correta nutrição dos peixes. A fazenda visitada tem piscicultura consorciada com a pecuária leiteira. O pasto, que se diferencia pela qualidade, recebe irrigação com água que sobra dos tanques.

Parte 1: Acompanhe a série sobre piscicultura e veja a cotação agrícola
O ciclo nutricional na piscicultura da propriedade é de responsabilidade do zootecnista Leandro Barbieri. Ele acompanha de perto os processos desenvolvidos no local, desde o armazenamento onde os sacos devem estar em tablado suspenso do chão, em local coberto e arejado, até a distribuição de comida nos tanques.
Temperatura
O pirarucu é a espécie dominante nas lâminas d’água da propriedade. Apesar da espécie ser nativa, exige cuidados bem especiais. Uma delas é saber a temperatura da água dos tanques antes de jogar a ração aos peixes.
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Engenheiro mede temperatura da água antes de tratar peixes — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
“A temperatura mais baixa é no período da manhã. Onde não tem raios solares, daí essa temperatura baixa. Ao pirarucu a gente procura observar essa temperatura acima de 26°C. Acima disso a gente já joga ração. Abaixo de 26°C a gente diminui a quantidade de ração pra 50%. A superfície fica muito fria então ele procura não se alimentar muito. Então, pra não ter desperdício de ração, a gente diminui a quantidade”, afirma.
“Granolometria”
Outro fator que o produtor deve levar em conta é a“granolometria”, isto é, o tamanho do pelete da ração.
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Ração tem tamanho para cada peixe, segundo especialistas — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Ela tem vários tamanhos, de 0,4 a 16 milímetros, por exemplo. O peixe vai crescendo e, conforme o seu crescimento, o tamanho da boca vai acompanhando esse desenvolvimento.
“O piscicultor deve então oferecer para o peixe rações com tamanho compatível com o tamanho da boca dele, que é pra ele poder capturar esses peletes e poder se alimentar”, diz Maria Mirtes.
Biometria
A engenheira de pesca ainda orienta os produtores sobre a importância de acompanhar o desenvolvimento dos peixes ainda dentro da água e os cuidados com o ganho de peso, a chamada biometria.
Biometria”Biometria, como o nome está dizendo: Bio=vida, Metria=Medida. Ele vai medir o tamanho e o peso do peixe dentro do ciclo de produção. Essas biometrias devem ser regulares e aí o piscicultor determina se vai ser quinzenal, mensal, bimestral, mas regulares, que ele consiga acompanhar esse crescimento e ver se essa ração está sendo eficiente, se ela está oferecendo uma boa conversão alimentar”, ressalta a engenheira de pesca.
Conversão alimentar, segundo a especialista, é a quantidade de ração que o peixe consome para produzir um quilo de carne.
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Rondônia Rural explica importância de nutrição de peixes — Foto: Rede Amazônica/Reprodução
Mas se a ração representa cerca de 60% dos custos da piscicultura, muitas vezes o barato pode sair caro.
“Às vezes, quando o piscicultor procura por uma ração mais barata, isso não implica num custo menor de produção. Porque se a ração for ruim, esse peixe não vai ter todos os nutrientes necessários para um bom crescimento e um bom rendimento no ciclo de produção. Ele demora mais pra crescer e pior ele pode influenciar na qualidade da água do meio ambiente”, finaliza.
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